As casas ganham um ar mais mortal na tristeza depois de não ter havido coito. Vão depressa as nuvens, tão depressa, levam pombos e telhados agudos com ardósia quebram em radiações de treva na água aprisionada.
Já tínhamos falado de tudo na véspera, do adiamento, da sufocação, mas senti que não seria assim. Com a garganta ao contrário da Holanda, seca, incapaz de falar.
Vi os gráficos do sangue empresarial. Na floração das vendas, o risco suspendia câmbios de gasolina sobre mim. Ao som do telefax, um visor de números era agora o teu rosto.
Por cima do casaco hesitavam as mãos de novo perdidas no medo de prender-se ao metal tecido de milagre da saliva. Eram mãos que não sabiam pousar.
A experiência agora é esta: chamar desamor à emoção que não entende o que deseja, confunde os sentimentos numa aridez tão pesada que nem eu percebo como deixa voar um avião por este sem fim de céu que traz o fim.
Mas foi horas antes que findou. Ia a noite avançando, escurecia o hotel e as mãos ficaram presas. Tanto tempo, tanto tempo nenhum.